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sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Diário de Bordo - Santorini

Quantos suspiros cabem em uma Santorini?

Talvez o destino mais charmoso da Grécia, Santorini foi originado pela erupção de um vulcão que fica logo em frente a cidade principal. E lá, no topo de uma das montanhas rochosas do arquipélago que estão as famosas casinhas brancas debruçadas sobre o mar azul do mediterrâneo.

                                                               Amor a primeira visita!

 O vulcão!
Lá em cima podemos avistar a cidade no topo da montanha rochosa.

                                                                         Uma pintura?

Santorini é uma festa para os olhos.  Já na saída do teleférico um dos pontos mais famosos para fotos indica a festa que os olhos terão pela frente. É difícil escolher o que é mais bonito, se a vista panorâmica do arquipélago, se os navios suntuosos  sobre o mar azul, se a arquitetura cheia de personalidade ou se todo o charme e o estilo low profile das ruas estreitas cheias de lojas, bares, restaurantes, igrejas e gente do mundo todo circulando por ali.



                                                    Uma das tantas igrejas de Santorini.

É essa a vista que Santorini nos recebe na chegada!

Sapatos confortáveis, roupas leves, câmera fotográfica e uma garrafa de água são escolhas necessárias para quem quer aproveitar o dia na cidade. Por ser um destino turístico Santorini não é barata. Mas se pensar em quantas vezes se pode estar na cidade, cada centavo valerá a pena. Para quem busca opções mais em conta, nas ruas onde transitam os carros, fora do circuito mais turístico, há uma diversidade de bares e restaurantes mais econômicos, porém sem aquela vista deslumbrante de bônus.


As ruas de Santorini.

Há em Santorini outra espécie de beleza natural. Basta sair da zona turística e ir em busca das ruas onde é possível transitar de carro para ver, por todos os lados, de moto sem capacete, vestindo coletes e óculos de sol, lá estão eles, os gregos. Os homens gregos são um capítulo a parte e nos fazem entender o porque são chamados de "deuses gregos". Como gosto é uma coisa muito pessoal, recomendo as moças de plantão que vão pessoalmente conferir as belezas que só Santorini possui.


Quantos suspiros cabem neste café?

Há três formas de chegar na ilha, pelas escadas, pelo teleférico que custa dois euros e é a alternativa mais rápida ou os famosos burrinhos que sobem as escadas com os turistas no lombo. Que tal experimentar?


Quase 600 degraus para chegar no topo!

domingo, 3 de novembro de 2013

Diário de Bordo - Istambul


Contemporânea e conservadora. Istambul é feita de contrastes e fronteiras. Divida pelo passado e pelo presente na ponte que liga a Istambul Moderna a Istambul Antiga e pelo estreito do Bósforo e sua ponte (na foto abaixo) imponente que a noite se ilumina e sinaliza que de um lado estamos na Ásia e do outro na Europa.

Ao fundo a ponte do estreito do Bósforo.

 A religiosidade está por toda parte,as mesquitas e suas torres imponentes podem ser vistas de longe e de todos os lados, especialmente na parte antiga de Istambul. Pelas ruas as mulheres transitam apressadas e quase sempre acompanhadas, com seus cabelos cobertos por lenços coloridos ou com o tradicional xador, aquele que cobre o corpo todo e deixa só os olhos visíveis atrás dos panos negros.



Em frente a uma das dezenas de Mesquitas.

Os turcos horam a fama de serem bons de negócio. Não há como não entrar em uma loja sem chorar um descontinho. No meu primeiro dia, já sabendo desta fama, fui comprar pashiminas. A primeira que gostei custava 20 liras. Uns 20 minutos, muito choro e negociação saí da loja com 3 pashiminas, incluindo a primeira que gostei, pelas mesmas vinte liras e um beijinho na bochecha do vendedor.

Tradicionais "loxinhas" turcas.

Eu tinha uma grande expectativa em conhecer o Grand Bazaar. E comprovei novamente que, a expectativa é a mãe da frustração. O bazar tem muitas lojas e lindas mercadorias tipicas turcas como as jóias, as luminárias e claro, as pashiminas. Além de réplicas de bolsas, roupas e sapatos de grifes famosas para todos os gostos. Os preços não são os mais atraentes, talvez por ser uma região muito turística. Não dá para aceitar a primeira oferta e para fazer bons negócios é imprescindível que se leve tempo para negociar, dinheiro para comprar e muita paciência para transitar pelos labirintos do bazar. A comunicação não é difícil, a maioria dos vendedores fala alguma coisa de inglês e como são bons de lábia, sempre sabem alguma frase em espanhol e até português.

Tratando de "negócios" com direito ao tradicional chá turco.

No meu roteiro faltaram diversos lugares que eu gostaria de ir, como a Mesquita Azul, ah dizem que a noite de Istambul é super agitada, mas esses programas ficarão para uma próxima oportunidade.
A cidade tem um eficiente serviço de transporte público, uma espécie de metrô que liga a Istambul Moderna a Istambul Antiga por 3 liras. Cada lira vale um pouco mais de 1 real. O metrô já vem sinalizado com os principais pontos turísticos como o Grand Bazaar e o porto.



Minha despedida da Turquia foi no deck 7 do navio, com a cidade iluminada ao fundo e um gostinho de quero mais!


By by Turquia!


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segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Diário de bordo - Enfim em alto mar!

Uma cabine pequena, no subsolo de um navio, este é meu novo endereço. Meu local de trabalho fica 9 andares acima durante o dia e 5 andares durante a noite. Tenho sido muito pontual para chegar no trabalho. Minhas companheiras de cabine são ótimas, ambas brasileiras, uma já virou amiga antes mesmo de entrarmos no navio, a outra, por sorte ou ironia, é de Floripa.

Média de 11 horas diárias de trabalho literalmente pesado dividido em 2 turnos. O sono nunca vem completo, aquelas desejadas oito horas, vem em parcelas. Isso sem contar no fuso horário, aqui no mediterrâneo temos 5 horas a mais. Isso tudo junto, resulta em uma coisa chamada cansaço, as vezes exaustão. No final do dia volto para a cabine com o sincero desejo de poder flutuar, tamanha a dor nos pés. Isso me lembra os tempos de eventos, em que ficava infinitas horas em cima de um scarpin. Conforme já esperado, doem partes do meu corpo que eu nem imaginava que existiam. Estou fortalecendo minha musculatura de tanto caminhar e carregar peso. Como tudo tem um lado bom, vou descer magra e sarada no final do contrato.

Circulamos por corredores que mais parecem labirintos. Temos treinamento semanal de segurança. Andamos o tempo inteiro com uma name tag no lado esquerdo do peito. O uniforme já está andando sozinho e aquela cinta para as costas já é quase um novo membro do corpo. Fome é coisa que não se passa. Há muita comida por aqui. Muita mesmo. Durante o dia faço as refeições no crew mess, o restaurante da tripulação não oficial, em meio aos tripulantes de todas as partes do mundo, especialmente asiáticos, latinos e brasileiros. A noite comemos no restaurante em que trabalhamos, podemos inclusive comer os pratos e sobremesa que servimos.

Da janela do buffet onde trabalho durante o dia vejo a Europa passando, vejo os portos, as paisagens o mar infinito e vejo outras coisas quase inacreditáveis. Na manhã da última terça feira, meu segundo dia a bordo, comecei em torno das 6hs da manhã e ainda não havia amanhecido. Cerca de uma hora depois, o sol foi nascendo e pelas janelas eu enxergava as montanhas que sustentavam um lugar dos sonhos chamado Santorini. Pela janela eu olhava eufórica o que estava na rua, sem acreditar, querendo me beliscar. Santorini, aquele pedaço do paraíso que eu só via nas páginas da Viagem e Turismo estava finalmente diante dos meus olhos. Como diriam os colegas, são os relatos das alegrias de um primeiro contrato a bordo.

Por aqui é uma nova pequena conquista a cada dia. E cada uma delas eu comemoro cantando "We are the champions my friend". Tenho muito o que contar e compartilhar, vai ser aos poucos pois a internet e o tempo são quase artigos de luxo. Beijos de amor, de alguém que um dia decidiu não só sonhar.

Nicole Nazer

sábado, 21 de setembro de 2013

A caixa de presentes


A vida adulta tem inúmeros prazeres, mas há uma, uma não, muitas coisas que na vida adulta não tem a menor graça. Uma delas é comemorar aniversários.  Aniversário de adulto não tem cachorro quente, não tem negrinho, branquinho e bala de côco enrolada em papel celofane. Menos ainda balão surpresa. O que poderia ser mais legal e mais esperado do que a hora de estourar o balão? Mesmo que lá dentro viessem balas, pirulitos, chicletes e outras delicias que deviam ser consumidas de forma moderada posteriormente sempre acompanhadas do aviso: vais ficar com os dentes cheios de cárie. A emoção nem estava no conteúdo, mas sim na adrenalina em conseguir um bom lugar para arrecadar o maior número de brindes possível. Ah, e a alegria pré adolescente em cantar "com quem será?" e descobrir qual o nome que deixaria o aniversariante com as bochechas vermelhas. E como nada é tão bom que não possa melhorar ainda havia a hora dos presentes. O prazer em abrir dezenas de pacotes coloridos e estender tudo em cima da cama, ou, voltar a loja no dia seguinte para alguma eventual troca.

Aniversário de adulto não tem a mesma graça. A começar pelo cardápio. Não tem cachorro quente, nem coxinha e raramente há negrinho. As festas são em locais impessoais, bares, restaurantes e baladas, ondem existem outros milhares de passantes que nada tem a ver com a festa. Balão surpresa que é bom, só nas memórias da infância. Na vida de adulto raramente há tempo para encontrar os amigos, logo, ter a presença deles na data natalícia é uma glória. 

Adulto também não ganha presente. Se tornou uma raridade levar presentes a amigos adultos, especialmente quando eles comemoram seus aniversários na balada. Imagina chegar naquele local cheio de gente com um embrulho embaixo do braço? Nâo combina. E os poucos que se aventuram em levar presentes, ainda encontram outro desafio pela frente: o de não conhecer o gosto do aniversariante. Nessas horas vem as gafes. Um homem de trinta e poucos anos, solteiro, amante dos esportes, de viagens, fotografia e cinema, combina com livros de assuntos de seu interesse ou um dvd de um filme clássico, muito mais do que com uma gravata ou um saca rolhas. Uma jovem mãe de trinta e poucos anos, dona de sua casa, que trabalha fora e ainda tem tempo de ter encontros românticos combina muito mais com um conjunto de lingerie do que com um  conjunto para xícaras de café. Presentear um adulto é delicado. Na dúvida, faça algo você mesmo, o mimo terá valor sentimental pelo carinho do seu trabalho. Ou se suas habilidades para trabalhos manuais não são lá essas coisas, um cheque presente de uma livraria pode ser uma ótima pedida. Se o presenteado não gosta de ler, certamente ele gosta de ouvir música e o vale terá um bom destino.

Comemorar é preciso. Levar presente não é obrigação e nem o que se espera na data. Mas também não precisamos acabar com a festa de uma jovem alto astral presenteando-a com um jogo de panos de copa. Não confundamos aniversários com chá de panela. No fim da festa, os aniversariantes agradecerão o bom senso. 

sábado, 7 de setembro de 2013

Desapego



Tudo o que acelera um dia, serena. O dia que este serenar chegar iremos nos encontrar com o desapego, não só do passado, mas com os sentimentos que ficaram bagunçados. A felicidade sincera da compreensão se encarregará de nos fazer companhia neste momento. E restará em nós a certeza de que foi bom e, passou.

domingo, 18 de agosto de 2013

Vidas quadradas



Ontem fiquei 30 minutos parada no trânsito para andar duas, du-as quadras. Já estava angustiada naquela estagnação pensando em subir no banco daquele retângulo de lata, com 4 rodas que servem para o transporte e fugir pela janela. Mas não fiz isso, simplesmente abri mão da missão e puxei a campainha para descer no próximo ponto. E continuei ali, sentada ao lado daquele quadrado de vidro empoeirado onde eu via os prédios. Prédios, retângulos compridos feitos de tijolos, aço e concreto, onde pude furtar instantes de quem vive lá. Pela janela quadrada do prédio via a sala iluminada, com pessoas entretidas por aquele quadrado onde aparecem imagens com alto poder de manipulação que chamamos de televisão. Eu via os moradores chegando, colocando senha para abrir a grade do portão. Da grade para a porta do prédio, de lá para um quadrado grande, de metal onde é possível se transportar na vertical. Do elevador para um apartamento, que é uma espécie de caixa de concreto, cheia de outras caixas fazendo divisórias e empilhadas em cima de outras caixas. Por serem caixas empilhadas não se pode fazer muito barulho. Sambar de salto na sala então, nem pensar. Não dá para falar alto, ter animais e crianças correndo, também não. Quem escolhe morar nestas caixas empilhadas tem que abrir mão de uma boa porcentagem da privacidade. Quem mora em caixa pensa ser feliz assim. Não tem jardim, não tem pomar, não cultiva uma horta e não tem balanço no quintal, simplesmente porque não tem quintal

Esta reflexão não é só por menos trânsito, afinal, foi ele que me fez parar e observar. Esta reflexão é acima de tudo por vidas menos quadradas.