Uma cabine pequena, no subsolo de um navio, este é meu novo endereço. Meu local de trabalho fica 9 andares acima durante o dia e 5 andares durante a noite. Tenho sido muito pontual para chegar no trabalho. Minhas companheiras de cabine são ótimas, ambas brasileiras, uma já virou amiga antes mesmo de entrarmos no navio, a outra, por sorte ou ironia, é de Floripa.
Média de 11 horas diárias de trabalho literalmente pesado dividido em 2 turnos. O sono nunca vem completo, aquelas desejadas oito horas, vem em parcelas. Isso sem contar no fuso horário, aqui no mediterrâneo temos 5 horas a mais. Isso tudo junto, resulta em uma coisa chamada cansaço, as vezes exaustão. No final do dia volto para a cabine com o sincero desejo de poder flutuar, tamanha a dor nos pés. Isso me lembra os tempos de eventos, em que ficava infinitas horas em cima de um scarpin. Conforme já esperado, doem partes do meu corpo que eu nem imaginava que existiam. Estou fortalecendo minha musculatura de tanto caminhar e carregar peso. Como tudo tem um lado bom, vou descer magra e sarada no final do contrato.
Circulamos por corredores que mais parecem labirintos. Temos treinamento semanal de segurança. Andamos o tempo inteiro com uma name tag no lado esquerdo do peito. O uniforme já está andando sozinho e aquela cinta para as costas já é quase um novo membro do corpo. Fome é coisa que não se passa. Há muita comida por aqui. Muita mesmo. Durante o dia faço as refeições no crew mess, o restaurante da tripulação não oficial, em meio aos tripulantes de todas as partes do mundo, especialmente asiáticos, latinos e brasileiros. A noite comemos no restaurante em que trabalhamos, podemos inclusive comer os pratos e sobremesa que servimos.
Da janela do buffet onde trabalho durante o dia vejo a Europa passando, vejo os portos, as paisagens o mar infinito e vejo outras coisas quase inacreditáveis. Na manhã da última terça feira, meu segundo dia a bordo, comecei em torno das 6hs da manhã e ainda não havia amanhecido. Cerca de uma hora depois, o sol foi nascendo e pelas janelas eu enxergava as montanhas que sustentavam um lugar dos sonhos chamado Santorini. Pela janela eu olhava eufórica o que estava na rua, sem acreditar, querendo me beliscar. Santorini, aquele pedaço do paraíso que eu só via nas páginas da Viagem e Turismo estava finalmente diante dos meus olhos. Como diriam os colegas, são os relatos das alegrias de um primeiro contrato a bordo.
Por aqui é uma nova pequena conquista a cada dia. E cada uma delas eu comemoro cantando "We are the champions my friend". Tenho muito o que contar e compartilhar, vai ser aos poucos pois a internet e o tempo são quase artigos de luxo. Beijos de amor, de alguém que um dia decidiu não só sonhar.
Nicole Nazer
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
Diário de bordo - Enfim em alto mar!
sábado, 21 de setembro de 2013
A caixa de presentes
A vida adulta tem inúmeros prazeres, mas há uma, uma não, muitas coisas que na vida adulta não tem a menor graça. Uma delas é comemorar aniversários. Aniversário de adulto não tem cachorro quente, não tem negrinho, branquinho e bala de côco enrolada em papel celofane. Menos ainda balão surpresa. O que poderia ser mais legal e mais esperado do que a hora de estourar o balão? Mesmo que lá dentro viessem balas, pirulitos, chicletes e outras delicias que deviam ser consumidas de forma moderada posteriormente sempre acompanhadas do aviso: vais ficar com os dentes cheios de cárie. A emoção nem estava no conteúdo, mas sim na adrenalina em conseguir um bom lugar para arrecadar o maior número de brindes possível. Ah, e a alegria pré adolescente em cantar "com quem será?" e descobrir qual o nome que deixaria o aniversariante com as bochechas vermelhas. E como nada é tão bom que não possa melhorar ainda havia a hora dos presentes. O prazer em abrir dezenas de pacotes coloridos e estender tudo em cima da cama, ou, voltar a loja no dia seguinte para alguma eventual troca.
Aniversário de adulto não tem a mesma graça. A começar pelo cardápio. Não tem cachorro quente, nem coxinha e raramente há negrinho. As festas são em locais impessoais, bares, restaurantes e baladas, ondem existem outros milhares de passantes que nada tem a ver com a festa. Balão surpresa que é bom, só nas memórias da infância. Na vida de adulto raramente há tempo para encontrar os amigos, logo, ter a presença deles na data natalícia é uma glória.
Adulto também não ganha presente. Se tornou uma raridade levar presentes a amigos adultos, especialmente quando eles comemoram seus aniversários na balada. Imagina chegar naquele local cheio de gente com um embrulho embaixo do braço? Nâo combina. E os poucos que se aventuram em levar presentes, ainda encontram outro desafio pela frente: o de não conhecer o gosto do aniversariante. Nessas horas vem as gafes. Um homem de trinta e poucos anos, solteiro, amante dos esportes, de viagens, fotografia e cinema, combina com livros de assuntos de seu interesse ou um dvd de um filme clássico, muito mais do que com uma gravata ou um saca rolhas. Uma jovem mãe de trinta e poucos anos, dona de sua casa, que trabalha fora e ainda tem tempo de ter encontros românticos combina muito mais com um conjunto de lingerie do que com um conjunto para xícaras de café. Presentear um adulto é delicado. Na dúvida, faça algo você mesmo, o mimo terá valor sentimental pelo carinho do seu trabalho. Ou se suas habilidades para trabalhos manuais não são lá essas coisas, um cheque presente de uma livraria pode ser uma ótima pedida. Se o presenteado não gosta de ler, certamente ele gosta de ouvir música e o vale terá um bom destino.
Comemorar é preciso. Levar presente não é obrigação e nem o que se espera na data. Mas também não precisamos acabar com a festa de uma jovem alto astral presenteando-a com um jogo de panos de copa. Não confundamos aniversários com chá de panela. No fim da festa, os aniversariantes agradecerão o bom senso.
sábado, 7 de setembro de 2013
Desapego
domingo, 18 de agosto de 2013
Vidas quadradas
Ontem fiquei 30 minutos parada no trânsito para andar duas, du-as quadras. Já estava angustiada naquela estagnação pensando em subir no banco daquele retângulo de lata, com 4 rodas que servem para o transporte e fugir pela janela. Mas não fiz isso, simplesmente abri mão da missão e puxei a campainha para descer no próximo ponto. E continuei ali, sentada ao lado daquele quadrado de vidro empoeirado onde eu via os prédios. Prédios, retângulos compridos feitos de tijolos, aço e concreto, onde pude furtar instantes de quem vive lá. Pela janela quadrada do prédio via a sala iluminada, com pessoas entretidas por aquele quadrado onde aparecem imagens com alto poder de manipulação que chamamos de televisão. Eu via os moradores chegando, colocando senha para abrir a grade do portão. Da grade para a porta do prédio, de lá para um quadrado grande, de metal onde é possível se transportar na vertical. Do elevador para um apartamento, que é uma espécie de caixa de concreto, cheia de outras caixas fazendo divisórias e empilhadas em cima de outras caixas. Por serem caixas empilhadas não se pode fazer muito barulho. Sambar de salto na sala então, nem pensar. Não dá para falar alto, ter animais e crianças correndo, também não. Quem escolhe morar nestas caixas empilhadas tem que abrir mão de uma boa porcentagem da privacidade. Quem mora em caixa pensa ser feliz assim. Não tem jardim, não tem pomar, não cultiva uma horta e não tem balanço no quintal, simplesmente porque não tem quintal
Esta reflexão não é só por menos trânsito, afinal, foi ele que me fez parar e observar. Esta reflexão é acima de tudo por vidas menos quadradas.
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
Confesso
Preciso fazer um pedido, saia do meu imaginário!
Tá bom, eu sei que esse é um exercício que eu deverei fazer. Sei também que cada um é responsável pelo que traz em seu imaginário e que os objetos de desejo não tem culpa de terem ido parar onde estão. Mas adoraria que você pudesse me ajudar e zarpar daqui.
Estava tudo em paz até eu sonhar com você aquela noite. E na noite seguinte e na outra e na outra. Estava tudo certo, você já era especial, mas de uma outra forma. Toda essa perturbação por culpa dos meus sonhos e meus sonhos por culpa do meu inconsciente e meu inconsciente, bom, não há como culpa-lo. Nada na vida pode ser mais consciente que o inconsciente.
As pessoas que trazemos no pensamento, na consciência, na memória e nos sonhos, fazem um certo papel de assombração. Algumas trazem coisas boas, boas lembranças, boas sensações e nos despertam para coisas novas. Mas todas ocupam no imaginário um espaço que deveria ser ocupado pela realidade.
E você é bonito demais para protagonizar o papel de assombração.
Quando você não aparece por aqui, sou eu que me transporto para os lugares que eu desejo estar contigo. Vou longe. Voo longe. Para te ver, para te buscar. Para satisfazer meu imaginário com a tua presença.
Não quero só te imaginar de longe, sem cheiro, sem calor e sem toque. Te quero por inteiro, carne osso e energia. Sorrisos, olhares, sons e pele. Continuo a esperar. Sei que ainda há outros ciclos que devemos atravessar.
Já prometi, jurei e sacramentei que guardo um ciclo inteirinho da minha vida, para que faça parte da minha vida real. Mas hoje eu peço, que só hoje você não apareça nos meus pensamentos.
Tá bom, eu sei que esse é um exercício que eu deverei fazer. Sei também que cada um é responsável pelo que traz em seu imaginário e que os objetos de desejo não tem culpa de terem ido parar onde estão. Mas adoraria que você pudesse me ajudar e zarpar daqui.
Estava tudo em paz até eu sonhar com você aquela noite. E na noite seguinte e na outra e na outra. Estava tudo certo, você já era especial, mas de uma outra forma. Toda essa perturbação por culpa dos meus sonhos e meus sonhos por culpa do meu inconsciente e meu inconsciente, bom, não há como culpa-lo. Nada na vida pode ser mais consciente que o inconsciente.
As pessoas que trazemos no pensamento, na consciência, na memória e nos sonhos, fazem um certo papel de assombração. Algumas trazem coisas boas, boas lembranças, boas sensações e nos despertam para coisas novas. Mas todas ocupam no imaginário um espaço que deveria ser ocupado pela realidade.
E você é bonito demais para protagonizar o papel de assombração.
Quando você não aparece por aqui, sou eu que me transporto para os lugares que eu desejo estar contigo. Vou longe. Voo longe. Para te ver, para te buscar. Para satisfazer meu imaginário com a tua presença.
Não quero só te imaginar de longe, sem cheiro, sem calor e sem toque. Te quero por inteiro, carne osso e energia. Sorrisos, olhares, sons e pele. Continuo a esperar. Sei que ainda há outros ciclos que devemos atravessar.
Já prometi, jurei e sacramentei que guardo um ciclo inteirinho da minha vida, para que faça parte da minha vida real. Mas hoje eu peço, que só hoje você não apareça nos meus pensamentos.
sábado, 20 de julho de 2013
Dia do amigo!
Olá leitores queridos!
Depois de um final de semestre cheeio de boas novas e aquela corrida com as avaliações na universidade cá estou, com saudades de escrever por inspiração e não por obrigação! Hoje 20 de julho que é um dos dias mais felizes do meu calendário cá estou de volta. E nada mais oportuno que em 20 de julho escrever para os amigos!
Feliiiz dia para quem compreende que "em 10 min to saindo" é muito mais que 10.
Para quem me ama até quando me ouve catando desafinada.
Para quem entende minhas piadas e sabe que por trás de toda minha maluquez ainda há lucidez.
Para quem guarda meus segredos.
Para os que foram pra rua protestar.
Para quem sabe que eu não como carne e ainda assim me convida pro surraxco só pelo prazer da cia.
Para quem ri comigo (e nisso eu sei que sou boa).
Para quem sabe que sinto saudades e é paciente com minha ausência.
Para quem eu compreendo, amo, perdoo, ouço, falo as verdades que acho que devo.
Para quem me ensinou alguma coisinha e permitiu que eu ensinasse alguma coisinha.
Para os que estão perto ou longe. Para os de ontem e para os de mil novecentos e antigamente. Para os que conquistaram minha amizade a certeza de que é para sempre, aconteça o que acontecer, eu tenho boa memória e lembro sempre de quem faz de alguma forma a diferença na minha vida!
SAUDADES (de muitos) e GRATIDÃO, para todos!
Depois de um final de semestre cheeio de boas novas e aquela corrida com as avaliações na universidade cá estou, com saudades de escrever por inspiração e não por obrigação! Hoje 20 de julho que é um dos dias mais felizes do meu calendário cá estou de volta. E nada mais oportuno que em 20 de julho escrever para os amigos!
Feliiiz dia para quem compreende que "em 10 min to saindo" é muito mais que 10.
Para quem me ama até quando me ouve catando desafinada.
Para quem entende minhas piadas e sabe que por trás de toda minha maluquez ainda há lucidez.
Para quem guarda meus segredos.
Para os que foram pra rua protestar.
Para quem sabe que eu não como carne e ainda assim me convida pro surraxco só pelo prazer da cia.
Para quem ri comigo (e nisso eu sei que sou boa).
Para quem sabe que sinto saudades e é paciente com minha ausência.
Para quem eu compreendo, amo, perdoo, ouço, falo as verdades que acho que devo.
Para quem me ensinou alguma coisinha e permitiu que eu ensinasse alguma coisinha.
Para os que estão perto ou longe. Para os de ontem e para os de mil novecentos e antigamente. Para os que conquistaram minha amizade a certeza de que é para sempre, aconteça o que acontecer, eu tenho boa memória e lembro sempre de quem faz de alguma forma a diferença na minha vida!
SAUDADES (de muitos) e GRATIDÃO, para todos!
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