Lembro de quando criança ter respondido ao "o que você quer ser quando crescer" da seguinte forma. Peguei minha folhinha e a dividi em quatro retângulos. No primeiro deles me desenhei fazendeira. Oi? Isso só pode ser obra do meu inconsciente interiorano com descendência Mato Grossense. No segundo, me desenhei médica pediatra. De onde saiu também não sei. Acho que achava legal a vida da Tia Dica, minha pediatra na época, em seu consultório cheio de brinquedos. No terceiro espaço me desenhei bailarina. Ta bom que aos 8 anos eu dançava até Gipsy Kings ao redor de uma fogueira imaginária. Mas no Brasil, depois de Ana Botafogo as únicas bailarinas bem sucedidas que conheci foram as louras e morenas do Tchan. E por último e não menos importante, me desenhei empresária, com direito a uma maleta embaixo do braço. Acho que por partes acertei. Não me vejo indo para uma empresa com sede convencional, mas me vejo menos ainda indo trabalhar para os outros. Posso não ser empresária, mas serei administradora do meu próprio nariz.
No final da adolescência, meus desejos já eram outros. Decoradora de ambientes arquiteta ou algo assim. Fiz até vestibular para arquitetura e para minha sorte, não passei. Uns anos depois fiz vestibular para administração. O curso ideal para quem não saber o que quer fazer da vida. E novamente, não passei. Um tempo depois decidida a fazer alguma coisa para ganhar dinheiro segui os conselhos de meu pai para me qualificar e trabalhar com TI. E lá fui eu, para o terceiro vestibular e dessa vez, para o meu azar, fui aprovada. Porém, ao invés de ganhar dinheiro eu perdi o pouco que tinha, com as mensalidades do primeiro semestre, o único que fiz até concluir que definitivamente nada tinha a ver comigo aquele curso.
Uns anos depois conclui que um trabalho prazeroso não é o que dá só dinheiro, mas sim o que se faz com o coração. Logo pensei, vou transformar meu hobbie em algo rentável. Fiz vestibular, pela quarta vez, e já nem fiquei nervosa. Dessa vez para entrar em uma federal, no curso de jornalismo. Minha pontuação não foi suficiente para o jornal, mas foi para Filosofia. E aqui estou, filosofando, aos vinte e muitos anos, sabendo que vou me formar em desemprego. A filo vai me forma acima de tudo como ser humano. Além de ser parte do combustível para escrever. Quem sabe em breve não começo a publicar livros?
Mas se parece que está tudo resolvido, informo não. Além de não ganhar dinheiro escrevendo, nem estudando, eu ainda não ganho dinheiro fotografando. Ah, esse é outro hobbie que está sendo levado cada vez mais a sério. Eu trabalho com produção de eventos, especialmente os sociais e cerimoniais. Outra coisa muito bacana que faço no momento é, viajar pelo mundo, sem pagar nada. Ou melhor, eu pago sim. Trabalho duro, atendo, sirvo, limpo, recolho, carrego bandejas e no final do mês recebo um ordenado razoável em moeda estrangeira. Além de visitar lugares dos sonhos, acordar um dia em cada país e poder falar mais dois idiomas (por enquanto).
Agora que já cresci, vejo que não me tornei nada daquilo que eu havia sonhado quando criança. Não me encaixo em um único rótulo. Não pratico ou me dedico a uma única atividade. Eu me tornei muito mais do que eu havia sonhado. Alguém apto a mudanças, a inovação e a evolução constante. Alguém que se auto experimenta, alguém que enriquece sua biografia com boas experiências. Alguém que com muito orgulho não seguiu os padrões convencionais de estudar, formar, trabalhar, casar, procriar e assim por diante. Não perdi boas oportunidades, aliás, descobri que sou eu quem as faço. Eu ainda não cheguei a um resultado final. Não sei o que colocar no meu cartão de visitas. Não me resumo em poucas palavras e é por isso que vou continuar escrevendo, ops, crescendo.
terça-feira, 27 de maio de 2014
O que vou ser quando crescer, agora que já cresci.
terça-feira, 20 de maio de 2014
Suco Xô Anemia
Vamos a receita:
Suco de 6 laranjas
Uma beterraba picada
Uma cenoura picada
5 folhas de hortelã
1 colher de sopa rasa de chia
1 colher de sopa rasa de linhaça
1 colher de sopa rasa de quinoa
1/2 copo de água
Bata no liquidificador a beterraba, a cenoura e as folhas de hortelã com 1/2 copo de água. Após acrescente o suco das 6 laranjas juntamente com a chia, quinoa e linhaça!
Se quiser adoçar, sugiro mel, a gosto ou açúcar mascavo.
quinta-feira, 8 de maio de 2014
Ostentação
Essa é uma palavra que está muito na moda, talvez, por influencias do funk. Talvez porque algum desocupado achou a palavra no dicionário e resolveu achar algum sentido ao que não precisa. Meu conceito de ostentação sempre foi, quem de fato tem o que ostentar, simplesmente não ostenta. Porque não precisa, porque sabe que isso não agrega nada e também, para quem acredita, porque não quer atrair nenhum olho grande.
Há dias que esta palavra vem passeando nos meus pensamentos. E hoje, oportunamente, li uma amiga postar que, nos países de primeiro mundo pagar caro por algo é coisa de "otário". Em países pobres e sub desenvolvidos, pagar caro por alguma coisa, é fino, chic ou qualquer outro conceito para gente pobre de espírito. Você pensa que não está na moda da ostentação? Então me diz se você consegue comer sushi sem postar uma foto em todas as redes sociais antes? Ou se você costuma sacrificar o orçamento para adquirir algo que está na moda, um sapato por exemplo? Se para você não é prioridade fazer programas culturais, investir na sua qualificação ou até uma viagem, mas é ter um telefone de última geração. Ou vestir, usar, comprar o que todo mundo tem, o que todo mundo quer ou, o que a mídia diz ser bom. Saiba que nem sempre são de fato coisas boas, na maioria das vezes são só ideias subdesenvolvidas.
As pessoas mais interessantes que conheço não se preocupam em andar na moda. Andam pelo mundo, estão presentes em bons shows, falam mais de um idioma,praticam esportes, tem uma alimentação saudável e se preenchem com um bom livro, mais que com uma noite em uma festa badalada.
Se quiser ostentar, ostente aquilo que é intrínseco e não aquilo que você se sacrificou para comprar. Ostente a simplicidade, a felicidade, o bom humor, a generosidade, a benevolência. Isso sim, não tem preço, é coisa de gente rica de verdade.
quarta-feira, 7 de maio de 2014
Lagoa da Conceição - E seus pequenos detalhes
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| A vista do caminho para o Santuário. |
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| Paraíso para a prática de Kite Surf na Ponta das Almas. |
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| O amor ao bairro está em forma de mosaico nos postes! |
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| Olha quem mais veio fazer sua morada na Lagoa! |
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| O grafite nas paredes desta banca de revista! |
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| Aqui é primavera o ano inteiro! |
* Todas as fotos pertencem ao blog. Caso deseje usá-las fale antes com nossa autora, Nicole Nazer.
quarta-feira, 30 de abril de 2014
Dicas para uma Selfie top
Se todas vez que você ouve falar em selfie fica sem saber do que se trata, relaxa. Selfie não é nada mais que o bom e velho auto retrato. Vamos as dicas fatais para uma selfie top:
1° SEJA CRIATIVO fotos em frente ao espelho, mostrando os atributos físicos todo mundo já conhece e tira. Seja original, capriche nos cenários, na cara, se todo mundo aposta no make e no decote, aposte da descontração.
2° Cuidado com o braço esticado no primeiro plano. Lembre-se que a selfie é pra mostrar você e não seus membros superiores. CONTE COM A AJUDA DO TEMPORIZADOR na hora de tirar a foto, assim o braço fica onde tem que ficar.
3° CAPRICHE NO CENÁRIO. Você não precisa morar em uma casa parecida com os cenários das novelas da globo, mas tomar cuidado para não aparecer o varal no fundo, não tirar foto em frente a geladeira ou outros cenários do tipo "ê lá em casa" vão valorizar muito a foto. Uma parede neutra ou ao ar livre ajudam muito.
4° ABUSE DA LUZ DO DIA. Afinal, quem não fica lindo sob o sol? Se tiver um cenário de fundo como campo, mar, dunas, jardim, melhor ainda.
5° Se a foto ficou linda, mas a luz não ajudou, é hora de escolher um FILTRO. O Phototreats é um dos melhores e mais ricos em filtros e opções de efeitos.
Gostou? Agora chega de dicas, capriche nas selfies!
quarta-feira, 16 de abril de 2014
As maiores saias justas ao redor do mundo!
Não basta abrir mão de tudo em terra, compartilhar uma cabine minúscula com mais 3 pessoas, trabalhar muitas horas por dia, administrar as dores no corpo e a saudade. Você ainda vai passar por muitas saias justas fora do barco. Selecionei as minhas 3.
1º Compras frustradas na Turquia
Quando recebi meu primeiro salário estava ávida por comprinhas. Então um dia, desci com as colegas em Izmir, na Turquia, uma cidade portuária, com um ótimo comércio. Sai com pouco mais de cem euros, uma nota inteira e alguns trocados. Entramos em uma loja fast fashion, tipo uma prima turca da C&A. Escolhi um vestido e algumas daquelas peças que não preciso, mas gostei e vou levar, do tipo acessórios, meias e zas. Quando chegamos ao caixa, a primeira colega passou suas compras, e o moço do caixa usou aquela caneta que identifica notas falsas, se a caneta riscar na nota é porque a nota não é confiável. E a bendita riscou nas notas dela, mas ela, prevenida tinha mais dinheiro e conseguiu pagar suas compras. Quando chegou a minha vez, estava tranquila, afinal, o dinheiro novinho que eu acabara de receber a bordo, com certeza, era confiável. Mas me enganei, o brutamontes pegou meus suados cem euros e tascou a caneta, fez um risco amarelo na minha nota e perguntou se eu tinha outra. Eu disse que não. Ele disse que aquela nota ele não aceitava. Eu perguntei então, como faria para pagar. Ele disse que sentia muito, mas que como meu dinheiro não era confiável eu não poderia comprar. O queeee???? Cooooomo assim?
Falei todos os palavrões, não, quase todos. Poupei os de baixo calão, como sempre. E o que mais me indignava é que eu estava dando uma lição de moral e gastando meus seletos palavrões e o infeliz do turco não estava entendendo absolutamente nada.
No meio desta confusão toda, entra na loja a minha Best Friend on board e diz:
"- Niqui, tem uma loja linda aqui na frente, cê vai enlouquecer!"
Resumo, entramos na loja, fomos atendidas pelos proprietários, que eram os únicos que tinham uma leve noção de inglês. Fomos tratadas que nem princesas. Naquele dia voltei para o barco cem euros mais pobre, e com a mala muito mais cheia, de roupas lindas, por preços que se contar, nem eu acredito.
2º Buenos Aires, 50º!
No nosso primeiro porto em Buenos Aires, estava um calor absurdo. Me sentí queimando no mármore do inferno ao dar um rolé na calle Florida. Na ida, minha best friend on board e eu pegamos um taxi honesto. Na volta o tempo estava curto, fomos em busca de um taxi, e eu que já conheço os taxistas da capital porteña de outros carnavais já estava preparada para algum golpe. Um deles queria nos cobrar 500 pesos, para andar 5 minutos. Oi? O outro, simplesmente arrancou o carro a hora em que perguntei se ele "prendia o taxímetro". Resumo, do final da Florida até o porto não era longe. Era só um caminho curto, porém desconhecido, em uma zona portuária, sob um sol que deixava o asfalto mais quente que chapa de xis. Fomos caminhando, caminhando, caminhando. E o tempo para chegar ao trabalho cada vez mais curto, até que tivemos a brilhante ideia de correr. Claro! Sair correndo, atravessando a rua no meio de caminhões, afinal, zona portuária. E o sol cozinhando todas as partes da nossa pele em que a roupa não cobria. Quando chegamos a cabine nos deparamos com a cor das nossas peles. Era um vermelho de gringo que passa o dia em copacabana sem protetor solar. Na cabine tomamos uma ducha, afinal e subimos para trabalhar uns 5 minutos atrasadas. Porém exaustas e com a pele cor de pimentão que foi motivo de gargalhadas dos colegas. Naquele dia fomos carinhosamente chamadas de "well done", (carne bem passada) pelos colegas.
3º O capuccino mais caro do mundo
Em Gibraltar, uma ilha no mediterrâneo que pertence a Inglaterra, era a minha última parada antes do desembarque. E, como eu já sabia que teria muitas horas de espera nos aeroportos, precisava de um lugar com internet para configurar meu computador. Só que a cidadezinha foi ficando deserta, as pessoas iam sumindo da rua, os bares e restaurantes fechando, e encontrar um local com internet foi ficando cada vez mais difícil. Restou só um pub, que acabou sendo o bar dos tripulantes. E lá havia o que eu precisava: wifi. Para não ficar chato, me infiltrar no meio da galera, colocar a senha da internet e depois sair sem consumir nada, eu pedi um capuccino, desses comuns. Capuccino, mesa a meia luz e computador, clima perfeito, para o namorado ficar com ciúmes, do computador, é claro. Usei a leeenta internet e consegui fazer parte do que eu queria. Na hora de ir embora, fui pagar e, adivinha? Cinco libras!!! O que? Cinco libras por um capuccino? Isso são 20 reais, por uma taça média, um namorado emburrado e meia hora de internet a lenha. O problema maior não é pagar 5 libras e sim, se sentir refém da falta de opção.
Dias depois, meu namorado encontrou uma moedinha no chão da cabine, e eu já havia guardado tantas moedinhas de tantos lugares que, já estava com medo que por conta delas eu corria o risco de pagar excesso de bagagem e, nem dei bola. Quando ele disse: "Ó, é uma libra!" Dei um pulo, na terra da rainha, uma libra vale um capuccino da minha terra. Passa essa moedinha pra cá.
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